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Soltar

Olhar várias vezes,   até entender   que não sirvo para você,   nem você para mim.   Olhar e não reconhecer,   sentir o amor morrer,   e perceber que não quero  estar mais ao seu lado.   Olhar pela última vez,   apenas aceitar   que é hora de partir,   soltar... e ir.   *** 16/02/26

Teus caminhos

Campos e céus abertos,   Águas rasas,  Ritmo compassado,  Possibilidades,   Novos lugares, Sombras sem rosto,  Novidades,  Labirintos silvestres, Lago azul,   Toque leve, Gota d’água,   Luzes de néon, Coração machucado,  Sons atormentados,   Caminhar sozinho,  Cambalear pelo caminho,   Voltar sem luz.   *** 13/02/26

Aversão

  Sinto ojeriza por conversas vazias, que não me acrescentam ou levam a nada. Sinto repulsa pelo trivial, pelas amenidades sem valor, pelas fofocas regadas a café nas línguas maliciosas do escritório ou de um boteco qualquer no fim da tarde. Sinto embrulhar-me o estômago ao falar ou escutar quem tem por único conteúdo  a vida alheia. Não me interessa quem deu, quem deixou de dar, quem é a noiva ou a “puta do mês”. Não me interessa se o cara é burguês, fanático ou maníaco-depressivo. Se tem carro ou anda a pé, se bebe ou fuma, se é pegador ou esquisito. Gosto das conversas profundas,  da jornada de alguém até algum lugar. Gosto dos intelectuais: letrados, filósofos, nerds que falam sobre literatura,  cultura, geopolítica e dos casos sórdidos que derrubaram dinastias. Gosto de filosofar sobre o cotidiano, de quem cita pensadores  ao falar do tempo, de quem não se resume ao raso  ou ao ralo da humanidade. De quem fala de sexo citando Ligações Perigosas ou O P...