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Aversão

 


Sinto ojeriza
por conversas vazias,
que não me acrescentam
ou levam a nada.
Sinto repulsa pelo trivial,
pelas amenidades sem valor,
pelas fofocas regadas a café
nas línguas maliciosas do escritório
ou de um boteco qualquer
no fim da tarde.
Sinto embrulhar-me o estômago
ao falar ou escutar
quem tem por único conteúdo 
a vida alheia.
Não me interessa quem deu,
quem deixou de dar,
quem é a noiva
ou a “puta do mês”.
Não me interessa se o cara
é burguês, fanático
ou maníaco-depressivo.
Se tem carro ou anda a pé,
se bebe ou fuma,
se é pegador ou esquisito.
Gosto das conversas profundas, 
da jornada de alguém até algum lugar.
Gosto dos intelectuais:
letrados, filósofos, nerds
que falam sobre literatura, 
cultura, geopolítica
e dos casos sórdidos
que derrubaram dinastias.
Gosto de filosofar sobre o cotidiano,
de quem cita pensadores 
ao falar do tempo,
de quem não se resume ao raso 
ou ao ralo da humanidade.
De quem fala de sexo
citando Ligações Perigosas
ou O Primo Basílio.
Gosto de quem faz da vida arte,
de quem compartilha ideias, 
planos e projetos,
de quem sabe o nome do diretor 
e do produtor do filme,
de quem reconhece a música 
por um acorde.
Gosto de quem é profundo 
com espontaneidade,
que não se resume 
à superficialidade do ser humano.

***
11/02/26


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